É pela ação efetiva que alcançaremos o que tantos sonharam e não conseguiram - porque apenas sonharam, mas não agiram. DeRose
Certa vez um famoso bailarino improvisou alguns movimentos
instintivos, porém, extremamente sofisticados graças ao seu
virtuosismo e, por isso mesmo, lindíssimos. Essa linguagem
corporal não era propriamente um ballet, mas, inegavelmente,
havia sido inspirada na dança.
A arrebatadora beleza da técnica emocionava a quantos assistiam à
sua expressividade e as pessoas pediam que o bailarino lhes ensinasse sua
arte. Ele assim o fez. No início, o método não tinha nome. Era algo espontâneo, que vinha de dentro, e só encontrava eco no coração daqueles que também haviam nascido com o galardão de uma sensibilidade mais apurada.
Os anos foram-se passando e o grande bailarino conseguiu transmitir boa parte do seu conhecimento. Até que um dia, muito tempo depois, o Mestre passou para os planos invisíveis. Sua arte, no entanto, não morreu. Os discípulos mais leais preservaram-na intacta e assumiram a missão de retransmiti-la. Os pupilos dessa nova geração compreenderam a importância de tornar-se também instrutores e de não modificar, não alterar nada do ensinamento genial do primeiro Mentor.
Em algum momento na História essa arte ganhou o nome de integridade, integração, união: em sânscrito, Yôga! Seu fundador ingressou na mitologia com o nome de Shiva e com o título de Natarája, Rei dos Bailarinos.
(Tratado de Yôga - Mestre DeRose - Ed. Nobel)
Por definição, Yôga é qualquer metodologia estritamente prática que conduza ao samádhi. Samádhi é o estado de hiperconsciência e autoconhecimento desenvolvido pelo Yôga. O samádhi está muito além da meditação. Para conquistar esse nível de megalucidez, é necessário operar uma série de metamorfoses na estrutura biológica do praticante. Isso requer tempo e saúde. Então, o próprio Yôga, em suas etapas preliminares, providencia um acréscimo de saúde para que o indivíduo suporte o empuxo evolutivo que ocorrerá durante a jornada; e provê também o tempo necessário, ampliando a expectativa de vida, a fim de que o yôgin consiga, em vida, atingir sua meta.
Os efeitos sobre o corpo, sua flexibilidade, fortalecimento muscular, aumento de vitalidade e administração do stress fazem-se sentir muito rapidamente. Mas para despertar a energia chamada kundaliní, desenvolver as paranormalidades e atingir o samádhi, precisa-se do investimento de muitos anos com dedicação intensiva.
Por isso, a maioria dos praticantes de Yôga não se interessa pela meta da coisa em si (kundaliní e samádhi). Em vez disso, satisfaz-se com os fortes e rápidos efeitos sobre o corpo e a saúde.
O Yôga ensina, por exemplo, como respirar melhor, como relaxar, como concentrar-se, como trabalhar músculos, articulações, nervos, glândulas endócrinas, órgãos internos etc. através de técnicas corporais belíssimas, fortes, porém que respeitam o ritmo biológico do praticante. A prática completa do SwáSthya Yôga compreende oito tipos de técnicas (mudrá, pújá, mantra, pránáyáma, kriyá, ásana, yôganidrá, samyama) que vão atuar em oito áreas distintas, promovendo um aperfeiçoamento multilateral.
Em termos de classificação, Yôga é uma filosofia. Filosofia de vida. Filosofia prática. Há 4 troncos e 108 ramos de Yôga, todos diferentes e muitos deles incompatíveis entre si. Por isso, quem se dedica a uma vertente não deve mesclá-la com outra. O Yôga teve sua origem há 5000 anos na Índia, ou melhor, no território hoje ocupado por ela. De fato, essa nação ainda não existia. No tempo, situa-se há cinco mil anos. Culturalmente, localiza-se na civilização harappiana ou dravídica, que se expandiu a partir do Vale do Rio Indo.