É pela ação efetiva que alcançaremos o que tantos sonharam e não conseguiram - porque apenas sonharam, mas não agiram. DeRose
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ÔM não tem tradução. Contudo, os hindus o consideram como o próprio nome do Absoluto, seu corpo sonoro, devido à sua antiguidade e amplo espectro de efeitos colhidos por quem o vocaliza de forma certa, ou o visualiza com um traçado correto.
ÔM é o símbolo universal do Yôga, para todo o mundo, todas as épocas e todos os ramos de Yôga. Entretanto, cada Escola adota um traçado particular que passa a ser seu emblema. Uns são mais corretos, outros menos; uns mais elegantes, outros nem tanto; e alguns são iniciáticos, outros, profanos. Isto pode ser percebido por um iniciado pela simples observação da caligrafia adotada, ou então prestando atenção no momento em que o símbolo é grafado.
A cada livro que consulte ou entidade que você visite, notará que o ÔM difere ligeiramente. Os diferentes grafismos do ÔM originaram-se na caligrafia dos diversos Mestres. Cada pessoa tem sua caligrafia particular ao escrever seja lá o que for. O mesmo ocorre com o ÔM. A atitude dos discípulos é bem lógica. "Meu Mestre conhece mais do que eu. Se ele escreve assim, essa forma deve ser mais correta. Então, vou adotá-la." Na verdade, tal processo é inconsciente, mas o fato é que praticamente todos os discípulos daquele Preceptor passam a traçar o ÔM de forma semelhante. Com o tempo, esse traçado acaba constituindo um emblema da respectiva Escola.
Outra curiosidade é que existe uma escrita curvilínea (), utilizada na filosofia (no Yôga, no Sámkhya, no Vêdánta, no Tantra, etc.), que parece ser mais antiga; e outra, tendendo a retilínea (Aea~), que deve ser mais recente, a qual consta dos dicionários e gramáticas.
Os caracteres usados na filosofia para traçar o Ômkára parecem pertencer a um alfabeto ainda mais antigo que o dêvanágarí, utilizado para escrever o idioma sânscrito. Consultando um texto escrito em sânscrito, podemos notar que o alfabeto dêvanágarí é predominantemente retilíneo e que o próprio ÔM naquele alfabeto é escrito segundo essa tendência. Entretanto, saindo do domínio da gramática e da ortografia para o da filosofia, só encontramos o ÔM escrito de maneira diversa, com caracteres exclusivamente curvilíneos, o que demonstra sua identidade totalmente distinta. Isso também pode ser percebido na medalha do SwáSthya Yôga, cuja fotografia é reproduzida mais adiante, a qual possui algumas inscrições em sânscrito, em torno do ÔM.
Compare, no exemplo abaixo, o ÔM, escrito em caracteres curvilíneos, ao lado do nome SwáSthya Yôga, escrito em alfabeto dêvanágarí. A impressão que dá ao observador é a de que pertencem a dois sistemas de escrita diferentes.
A escrita curvilínea sugere origens numa sociedade matriarcal, mais sensível, sem pontas ou ângulos que pudessem ferir. Essa era a Civilização Dravídica ou Harappiana, de mais de 3.000 a.C.
Já a escrita retilínea, mais dura, tem coerência com a tradição patriarcal, guerreira, a Civilização Ariana, instaurada na Índia a partir de ±1.500 a.C.
Várias formas de traçar o ÔM
Embora haja várias maneiras de grafar o ÔM, ele jamais poderá ter pontas ou ângulos. Seu desenho conforme foi adotado na filosofia deve ser totalmente curvilíneo.
Há dois conceitos paralelos. Um, é se o ÔM está correto. Outro, é se ele está utilizando o traçado iniciático. Independentemente de estar utilizando ou não um traçado iniciático, ele pode estar correto. Correto pelas normas ortográficas, porém profano em termos de geração de linhas de força. Se estiver potencializado pelas linhas de força, seu traçado torna-se ainda mais poderoso. Os segredos desse traçado iniciático só são transmitidos de Mestre a discípulo num processo de iniciação.
[ quadro em desenvolvimento ]
No quadro acima, na coluna da esquerda apresentamos algumas formas de traçar o ÔM. Na coluna da direita, algumas formas de traçar a letra a. Precisamos reconhecer que as diferenças entre um a e outro são bem maiores do que as diferenças entre um ÔM e outro. Podemos, então, considerar que todos estão ortograficamente corretos. No entanto, a letra a não é nenhuma daquelas estilizações. O traçado original e mais autêntico de um A latino é a que está na coluna do meio. Assim também, o traçado mais autêntico do ÔM é o que está na coluna do meio.
A questão seguinte é: qual ou quais desses traçados do ÔM é ou são iniciáticos? Noutras palavras, qual ou quais detêm mais poder pelas linhas de força corretamente traçadas? Essa parte só é transmitida de Mestre a discípulo, assim como as sete maneiras de pronunciar o ÔM.
Extraído do livro Tratado de Yôga, do Mestre DeRose