Creio, porque não vi. DeRose
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Os Yôga-Sútras principiam em sua primeira parte (Samádhi-Pada) com o Sútra:
"Atha yogánushasana"." Agora (atha), a exposição do Yôga (yôga-nushasana)".Y. S. I, 1
O termo atha é comumente usado no início de trabalhos sânscritos deste gênero, e também é costume o primeiro verso indicar a natureza da idéias apresentadas. No caso, Pátañjali coloca-se apenas como um expositor, não como o criador do Yôga.
A palavra "Yôga" em sânscrito é de gênero masculino e tem como raiz yug ou jug, originada da canga que une os bois, significa ela "união", em latim - jugum, ou como no português: con-JUG-al. A idéia de união na filosofia do Yôga pode ser compreendida nos mais diversos sentidos, segundo a época histórica considerada ou o tipo de Yôga: união consigo mesmo, com o outro, com a natureza, com o todo ou Deus. No pensamento de Pátañjali, a palavra "Yôga" chega a significar, como coloca M. Eliade e Feuerstein, o oposto de união; e se a define até como viyoga, que significa "separação", devido ao divórcio entre as concepções de Purusha (espírito) e Prakrití (matéria), mente e corpo. Em Pátañjali há uma tentativa de isolar o espírito, purificando-o no afastamento da matéria. E isto inverte o sentido de união do termo yug, a consciência surge pura, desligada dos sentidos, ou melhor, os estados de consciência ocorrem fora da mente. Para Vyása, Yôga é um êxtase, ou seja, um estado de consciência próprio da manifestação do ser como autoconsciência. Mas o termo yug mais propriamente tem o significado de manter a mente sob jugo, subjugada, submetida.
O segundo Sútra da primeira parte do Yôga de Pátañjali é um dos mais importantes, devido à clara definição de Yôga:
"Yogash chitta-vritti-nirodhah". "Yôga é a suspensão (nirodhah) dos 'processos mentais' (chitta-vritti)".Y. S. - I, 2
Extraído do livro Yôga e Consciência, HENRIQUES, Antônio Renato. Pág. 92. 2a. ed. Ed. Rígel. São Paulo, 1984