Problema é o preâmbulo da solução. DeRose
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Para o tantra, ele não é o humilde servidor, nem a "trêmula carcaça" à qual Turenne se dirigia durante a batalha; nem a antítese do espírito, sede dos apetites grosseiros, coisa desprezível, que melhor seria submeter e mortificar para salvar a alma.
Para o tantra, o corpo é bem mais que um maravilhoso instrumento de manifestação ou uma admirável mecânica biológica: ele é divino. Divino? O corpo? No limite, ainda é aceitável que se "divinize" o cérebro, sede da consciência; mas as tripas... Não exageremos! No entanto...
Para compreender essa chave do tantra, é preciso realizar que:
- o corpo real é, de fato, um universo de extraordinária complexidade, cuja vida secreta é totalmente desconhecida;
- o corpo vivenciado é uma simples imagem, um esquema, uma construção mental, único aspecto que conheço;
- o corpo é produzido e animado por uma inteligência criadora, a mesma que suscita e preserva o universo, da mais ínfima partícula subatômica à mais gigantesca das inumeráveis galáxias;
- o corpo abriga, em suas profundidades ocultas, potencialidades insuspeitas, energias extraordinárias, cuja maioria permanece latente no homem comum, mas que a prática tântrica desperta e desenvolve.
Objeção: desconhecido, esse corpo que sinto viver e palpitar, que sei que tem fome ou sede, se sofre ou goza? Como pode o tantra pretender que não o conheça? Resposta: o corpo-vivenciado, percebido, é uma simples representação mental, que não tem muito a ver com a grandiosa realidade do corpo real.
Extraído do livro Tantra, o Culto à Feminilidade, LYSEBETH, André Van. Pág. 85. São Paulo. Summus. 1994.