O que abandona o prazer é abandonado pelo sofrimento. DeRose
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Nas escolas de orientação Brahmácharya, em geral as mulheres não praticam Yôga. Há exceções, mas mesmo nessas mais liberais, elas não costumam lecionar nem galgar postos de liderança. Por isso, representou uma grande conquista do nosso método, o fato de uma discípula nossa, a instrutora Rosângela de Castro, de Saquarema (RJ), já na sua quarta viagem à Índia, ter sido convidada a ministrar o Swásthya Yôga. E - justo onde? - numa escola ortodoxa brahmácharya!
Tempos depois, fui mais uma vez à Índia. Como sempre, participei de uma aula de Yôga. No meio da prática, o professor indiano começou a utilizar regras gerais e algumas outras características do nosso método. Foi um choque. Primeiro a satisfação de ver que tudo estava se confirmando cada vez mais. Em seguida foi de lástima, pois, se o instrutor hindu as utilizava, nesse caso não eram originais da nossa codificação. "Vai ver", pensei, "que só não constavam nos livros, porém faziam parte da tradição oral." Fiquei estarrecido, porquanto havia declarado que tais características eram exclusivas do nosso método.
Chegando ao Brasil, casualmente comentei o fato com outra aluna, Vera Buso e Silva, de Ribeirão Preto, que tinha morado nesse mesmo mosteiro por um tempo razoavelmente longo. Disse-lhe que, por questão de honestidade, teria que fazer um comunicado público confessando ter me equivocado nesse pormenor e estava desolado por isso. Eu inconsolável e ela rindo. Quanto mais aborrecido ficava, mais ela se ria. Até que perguntei:
- Verinha, qual é a graça?
E ela me disse, tentando controlar o riso:
- É que fiz o curso com aquele professor, antes e depois de a Rosângela ministrar Yôga na Índia. Depois que assistiu a aula da Ro, ele mudou o método e adotou inúmeras coisas do Swásthya Yôga. Noutras palavras, ele estava ensinando a você o seu próprio sistema!
Mais um acaso: se não fosse o testemunho da Verinha, a história do Swásthya Yôga teria sido radicalmente alterada e, muito provávelmente, você não estaria lendo este texto. Continuaríamos até hoje achando que o nosso método era um equívoco, justamente por termos visto um Mestre hindu acatá-lo e adotá-lo numa conceituada escola da própria Índia, após tê-lo aprendido com uma discípula nossa!
Extraído do livro Quando é preciso ser forte, do Mestre DeRose