A União fez de nós o que somos; fará por nós o que nem imaginamos. DeRose
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Pelas razões expostas, compreende-se porque o guru sêvá, ou serviço ao Mestre, é considerado uma das coisas mais importante do discipulado. E também um dos meios autênticos e tradicionais para alcançar o conhecimento. Tal conhecimento é o parampará. Literalmente, esse termo significa um depois do outro. Mas o sentido é "transmissão oral", ou seja, é a única forma pela qual o verdadeiro conhecimento pode ser passado de Mestre a discípulo, de boca a ouvido, através dos séculos e milênios.
A cultura livresca no Yôga tem um valor muito limitado e só chega a ser recomendada para os iniciantes que estão bem no começo da caminhada, a fim de fornecer-lhes um mínimo de elementos com os quais possam laborar. Logo em seguida, a leitura intensiva passa a ser desaconselhada, pois estimula uma classe de futilidade típica dos intoxicados de teoria, que agem como ébrios a repetir coisas das quais não têm suficiente vivência e, portanto, não sabem do que estão falando. Apesar disso procedem a sofismáticos discursos, bastante convincentes em termos teóricos. Com egos hipertrofiados, deleitam-se em ouvir-se a si mesmos falar em jorros de verborragia inútil.
Assim como acontece com a fase do guru sêvá, nesta também os imaturos, os desajustados e os que estão recheados de devaneios tendem a se decepcionar e julgar que o Mestre não sabe ou não quer ensinar.
Na realidade, os mais preciosos ensinamentos lhe estão sendo despejados nas mãos, porém, tal discípulo não pode parar para perceber isso, pois está muito ocupado em cultivar sonhos e expectativas. Ele não está interessado em que a verdade seja verdadeira: ela precisa se encaixar na imagem que vinha sendo alimentada pela sua imaginação leiga e profana.
Destarte, perde por entre os dedos valiosas jóias de sabedoria milenar, porque ela normalmente se apresenta com roupagens simples. Em sua autenticidade, a sabedoria não precisa revestir-se com paramentos hierarquizantes. Contudo, estulto, o discípulo quase sempre espera que a verdade precise ser anunciada com trombetas. Por isso, deixa passar o tesouro que se encontra nas entrelinhas de cada coisa que o Mestre diz ou faz quando está gracejando, descansando, alimentando-se ou admoestando.